terça-feira, 6 de outubro de 2009

Com tato

há álibi ao libido
Natural escondido
Receita de flor

Tudo lido e relido
Punhal no ferido
Guerra de amor

A vida se espreguiça
tateia a calma, ladeia o corpo, estremece a pele
tudo se compele ao desabrochar.

Semente fecundada, terra molhada
aguardente, roupa, toalha
ser/seu conteúdo

de gosto, degusta e gosta
encosta aqui, faz brotar cor
lívido a vívido.

Viver é o que compete.
Livre libido
eis seu álibi.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Senti

O amanhã é seu.
Hoje dai-me teu dia,
deixa que o sol escorra
por motivo meu, do meu tanto desejo.
Quebra a regra de ser só,
quero teu, eu e tudo
mesmo que do mundo
te tenha partícula ínfima de tempo.
Ainda que a noite caia
e em mim fique teu cheiro
junto com a alma desencontrada.

Acompanho a madrugada,
meu hoje
amanheceu.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Libertinagem

Explosivos ao lábio
fogem do abismo
alcançam o céu,
antes do véu,
a ponta da língua,
ante-cordas.
Lançado ao enlace
do fruto da mente
capturado a vista, a forma
se livra, deforma
devora, engole, regurgita

pensa mentos,
junta coca, borbulha
patrulha alguma segura
secura do palavrão,
expressão, liberdade e gozo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sublimação

A sete passos do arco,
seta encrava em peito farto,
seca o que escorreu a espera.

Longe sete palmos da terra
jaz um coração petrificado
afundas em leite, sem nem tentar nado,

repousa calado, sobre a derrama.
Pedra no caminho encharcado.
Queda sem ruflo, sem leito.

O sol esvai líquido,
um só no caminho direto
astro, universo

atravessa a porta,
anda sete passos,
dá um beijo.

domingo, 24 de maio de 2009

Fe(i)to


sábado, 16 de maio de 2009

Aromaterapia

um cheiro passa distraído
capturado por narinas atentas
inspira profundamente
a memória
ilha de edição
busca toda relação
faz a junção num longo filme
de milionésimos de segundo
o mundo para
você senta assiste
todos os sentimentos relacionados
a pelíluca
entre você e a lembrança
se parte inundando todo o corpo
num riso
prova de rima
da narina a serotonina

Umbilical

A medida do enlace
no laço do querer,
feito de braço a braço.

A vontade da fusão
no encaixe perfeito
de fogo e combustão.

O excesso do nó,
exceto todo mundo
acesso a um só.

A metade num abrigo
medido, aquecido, amarrado
de umbigo a umbigo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nós, um nó

Tua forma sinuosa
me transforma e ousa,
me deforma, me faz cosa
do teu corpo,

faço parte
como encaixe de rima,
minha palavra com a tua
língua em cima.

Se funde a mim
teu corpo, corpo meu
assim um só
o mais perfeito nó

do entrelace das pernas,
as minhas rústicas, 
as tuas ternas
já não se distinguem.

Qualquer separado
já não sobrevive.
O peito pulsa junto,
da minha pele a tua,

nosso mundo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

C.I.A.

A nossa essência
não tem nada de ciência
nem da vida obediência,
segue sua própria consciência.

Sua devida congruência
muda a rima por querer
e retoma por decência
só pra discordar da evidência
da determinação da cia,
ou de qualquer impaciência
que de mim te distancia.

Resta no corpo a preferência
uma exata exigência
da alma.

É dela a regência
de toda a correspondência
da mente a palma.

Mãos dadas com elegância
comprovam a existência,
e qualquer tormenta se acalma.

domingo, 12 de abril de 2009

Oito

Com meu passo torto
interropo o coito
da linha reta.

Tracejo um oito
seguindo o rito
da força centrípeta.

Estiro o corpo
pelo infinito
sem régua.

Atiro-me todo
sem receio do conflito,
sem nenhuma regra.

Qualquer medo, corto.
Qualquer silêncio, grito.
Pulo qualquer pedra.

Fico aqui absorto,
apreciando o que parecia mito,
saboreando essa sensação eterna.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ayahuasca

Meus poros se abrem
pra encaixar teu arrepio.

domingo, 22 de março de 2009

Kairos

Quem me dera
o tempo burlar o tempo
pular a espera
me por lento
perto dela

Leminskiando, literalmente

Descobri o valor da minh'alma enquanto
lia jabuticabas num pé de poesia,
lendo e descobrindo tudo tanto
quero jabuticabas todo dia.

Tão pequenas e fortes
construídas por alquimia,
na mistura do comum e da surpresa
qualquer recorte já dizia

a sua alma vale muito
por dúvida ou certeza.
é tão certo e inquietante,
não nascem mais jabuticabas como antes.

fff...

Ouço uivos do vento
no meu ventre,
assobio,
ao redor quente
na barriga frio.

sábado, 21 de março de 2009

Saia do beco

Na mesma esquina
a sina era à direita,
ainda que a retina
visse a menina a frente,

mesmo que de repente
quisesse seguir reto,
fez-se temente
e não esboçou nenhum gesto.

Seguiu sua rotina
na timidez curvilínea
virou à direita.

Nesse passo mal dado
no pensamento moldado
desejou o caminho ter mudado.

terça-feira, 10 de março de 2009

Golpe de estado

O amor é a abdicação a coroa de um reino de si,
o rei vira camponês,
como uma peça inexistente no xadrez de cristal na estante,
check amar-te.
O coração num tabuleiro de cores opostas
exposto a sentença da vez,
ao próximo lance,
um arremate.

Pega o coração da estante
deixa a coroa, espada e armadura,
para ver quanto dura o combate.

sábado, 7 de março de 2009

Âmago sonoro

Para uma certa Estrela

Dançar quando os corpos se levantam sem a necessidade formal de um pedido, seguem ao salão marcados por um compasso melódico, pela sintonia entre corpo e som,  envolvem-se em movimentos harmônicos. A voz se cala, os olhos se fecham na busca da música interna, aquela que soa de corpo a corpo, sendo audível apenas para os bailantes. Dançam conforme sua vontade, existe espontaneidade, sincronicidade e para os mais atentos, sinceridade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Remate

Da madeira oca
o toc é grave,
o grito agrava,
o toque derruba,
a ave avoa.
O tic-tac encerra
o tempo da desova.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Algo-retrato

A rima e a palavra solta,
um sorriso, um desejo na boca,
o grito feito vento contador de segredos,
o medo do menino que dorme,
o riso d’uma flor ao sol,
a vereda além da visão,
o ar que te veste, que te infla,
a transparência da luz matinal,
a quentura da cor-do-sol,
o bêbado brilho da madrugada,
o risco unindo dois pontos,
aquele instante do éden,
o espaço mordido da maçã,
a palavra reescrita,
o texto inconcluso,
o livro aberto na página tal.

Leia, 
de mim receberá ecos 
soltos ou dançarinos de tango.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Lençol d'água

De palavra seca
vindo vento.

Cobri as rachaduras
dessas marcas de tempo.

Lágrimas que inundaram fissuras
levada, cachoeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sintonizardia

clique para ampliar

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sou rio

Amor é rio,
Paixão é mar.

O rio segue calmo e cristalino
cortando planícies, desviando de impedimentos,
saindo e voltando ao curso.

O mar é instigante, galante,
chama pra dançar com as mais belas ondas
inebria de vastidão, saqueia.

O amor nos embala pros mais belos sonhos,
constante indício de sorrisos involuntários,
permanentes passos de tranqüilidade.

A paixão rasga nossas roupas,
nos agarra, joga na cama.
Dúvida ao limite de estupro ou sexo.

O rio mata nossa sede imaterial.
O mar sacia nosso desejo físico.
A paixão é de tempo confinado.
O amor é de vento sempre inflado.

Amar, não mar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Prefácio

Descubra no despertar de cada manhã
Um novo portal para mundos fantásticos.